sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Amor, sentimento que foge de nós



Hoje o dia amanheceu triste sem sua presença.
Aquele cheiro em meu corpo se torna mais vivo com sua ausência,
Aceitar que fostes e que não voltarás nunca mais,
É muito, é pesado, não satisfaz.

Procuro-te sem te ver,
Sinto sua indiferença,
Espero não enlouquecer
Diante dessa dor imensa.

Solitário, parece se esconder,
Perdido em alguma gaveta do tempo,
Sem sua força é difícil viver,
Penso em coisas das quais não lembro.


Heloísa Braga



A palavra mágica
1977 - DISCURSO DE PRIMAVERA E ALGUMAS SOMBRAS


A Palavra Mágica

Certa palavra dorme na sombra
de um livro raro
Como desencantá-la?
É a senha da vida
a senha do mundo.
Vou procurá-la.

Vou procurá-la a vida inteira
no mundo todo.
Se tarda o encontro, se não a encontro,
não desanimo,
procuro sempre.

Procuro sempre, e minha procura
ficará sendo
minha palavra.

domingo, 24 de outubro de 2010

Origem: " Friedrich Hölderlin”, Gedichte”, Reihe Reclam, Phillipp Reclam 2000. Tradução de Luís Costa, Züschen MMVII (Edição Bilingue)

Hälfte des Lebens


Mit gelben Birnen hänget

und voll mit wilden Rosen

das Land in den See,

ihr holden Schwäne,

und trunken von Küssen

tunkt ihr das Haupt

ins heilignüchterne Wasser.

Weh mir, wo nehm' ich, wenn

es Winter ist, die Blumen, und wo

den Sonnenschein,

und Schatten der Erde?

Die Mauern stehn

sprachlos und kalt, im Winde

klirren die Fahnen.


Meio da vida


Com peras amarelas

E repleta de rosas silvestres

A terra estende-se por cima do lago,

Vós graciosos cisnes!

E embriagados de beijos

Molhais a cabeça

Na sagrada e sóbria água.

Pobre de mim ! onde irei buscar

Quando for Inverno, as flores e

Onde o brilho do Sol

E as sombras da terra ?

Frios e mudos,

os muros erguem-se;

ao vento, as bandeiras tilintam.